4.9.08

Quando o sol sair...

Os últimos flocos de neve do inverno caíam lá fora enfeitando de branco a paisagem. As cores dos casacos sobressaíam inundando as ruas apertadas com cores e fitas, até as carrugens e os cavalos pareciam mais coloridos. As luzes de dentro das casas davam um tom fantasmagórico ao ambiente. Todos apressados correndo em direção ao conforto e o calor de seus lares. O aroma das aves assando no forno e as vozes alegres enchiam o mundo de cheiros e música.

Ela estava sentada ao lado da janela de seu quarto, uma figura pálida e triste empurrando o nariz branco contra o vidro. Apertava em sua mão um lenço enquanto rezava para que seu pai voltasse logo... Tinha sido um longo inverno... Esticado pela promessa de dias melhores.

O fogo quase se apagava, não havia mais lenha. O frio dominava os braços e pernas ossudos da menina. Sua mãe tinha dito que quando o inverno terminasse seu pai voltaria e o sofrimento teria acabado. A mesa seria farta novamente... Ele traria remédios para elas... Tudo seria melhor quando a neve derretesse. A culpa era da neve, só dela. A maldição do branco caindo do céu tinha passado para as faces de sua mãe. O gelo do inverno assolando aos poucos sua casa, invadindo tudo até que mesmo o rosto de sua mãe estava gelado... Na face um sorriso triste congelado.

Rezava para que a neve derretesse e que seu pai voltasse. Ele a aqueceria e reanimaria sua mãe. Elas poderiam voltar a sorrir. Sua casa estaria cheia de aromas. Ele traria presentes dos lugares exóticos que visitou a bordo de seu navio.

Quando o homem chegou em casa no início da primavera encontrou seus dois amores imóveis, bonecas de neve, perfeitas, mesmo após o inverno.

2 comentários:

Allana disse...

Achei o final meio brusco, diferente do resto do texto, que cria o clima frio aos poucos. Ficou meio destoante do conjunto.

E depois eu comento que preste. -.-

Daniel R disse...

Ficou muito bom!

Só faltou algum separador, tipo uma reticência, pra denotar a pausa!

Mas tá show de bola. Tem que ser abrupto mesmo, pra chocar. Bacana!